Distrito de Évora

O distrito de Évora é um distrito português, pertencente à subregião do Alentejo Central. Limita a norte com o distrito de Santarém e com o distrito de Portalegre, a leste com Espanha, a sul com o distrito de Beja e a oeste com o distrito de Setúbal. Tem uma área de 7 393 km² (2.º maior distrito português) e uma população residente de 168 034 habitantes (2009). A sede do distrito é a cidade com o mesmo nome.

O distrito de Évora compreende 14 concelhos: AlandroalArraiolosBorbaEstremoz, Évora, Montemor-o-NovoMoraMourãoPortelRedondoReguengos de MonsarazVendas NovasViana do Alentejo e Vila Viçosa.
Possui um clima de influência marcadamente mediterrânica, caracterizado por uma estação seca bem acentuada no verão. A precipitação ronda os 500 mm entre os meses de outubro e março e os 170 mm no semestre mais seco, sendo bastante irregular.
A sua morfologia é caracterizada pela existência de planícies com algumas elevações, como, por exemplo, a de São Sebastião (441 m), a do Paço de Saraiva (282 m), a da Barroqueira (255 m) e a da Capela (262 m). Como recursos hídricos, são de referir os rios Degebe e Xarrama, as ribeiras de Souseis, Monteiras e dos Quartos, e a albufeira de Torres.
História e Monumentos
Évora tem fundação pré-romana mas foi durante o domínio romano que as suas terras se tornaram importantes. Évora era designada pelos Romanos, no tempo do imperador Júlio César, de Liberalitas Júlia. Em 1165, e após disputas sucessivas por mouros e cristãos, foi conquistada aos mouros pelo exército do rei D. Afonso Henriques, comandado por Geraldo (ou Giraldo) Sem Pavor. D. Afonso Henriques mandou desde logo aí instalar a sede da Ordem Militar de São Bento de Calatrava e outorgou-lhe foral. Em 1384, assistiu à aclamação do rei D. João I, Mestre de Avis, como rei de Portugal, ainda durante a regência de D. Leonor Teles, viúva do rei D. Fernando. Em 1637, durante a Guerra da Restauração, a cidade dedicou-se à causa da liberdade aquando das lutas da Patuleia. Em 1559, foi fundada a sua universidade pelo cardeal D. Henrique.
O património histórico e monumental é imenso e variado, destacando-se, desde logo, o facto de o centro histórico de Évora ter sido classificado pela UNESCO como Património Mundial, em 1986. Em 1979, devido à sua importância, o Plano Diretor Municipal deu o primeiro passo na implementação de medidas de proteção e manutenção do património. A partir de 1981, pôs-se em prática o Plano de Recuperação do Centro Histórico e, em 1983, foi criado um gabinete próprio para tratar de assuntos de planeamento e gestão.
A anta do Barrocal é um monumento digno de referência, sendo considerado monumento nacional. Tem uma dimensão de 3 metros de diâmetro por 2 metros de altura e encontra-se em razoável estado de conservação, mantendo ainda parte da câmara poligonal e a laje de cobertura. A anta grande do Zambujeiro de Valverde está também classificada como monumento nacional e é a maior anta conhecida na Península Ibérica. O conjunto tem 50 metros de diâmetro, compreendendo a câmara poligonal, com 6 metros de altura e um longo corredor para o exterior. Destaca-se ainda o cromeleque e menir dos Almendres, um conjunto de menires constituído por 95 monólitos, dispostos em dois círculos concêntricos. Alguns menires apresentam insculturas esquemáticas e geométricas. Um pouco afastado do conjunto, encontra-se um menir com cerca de 4 metros de altura. Segundo estudos recentes muitos dos monólitos encontram-se na sua posição original, datando o conjunto do período entre o Neolítico (4000 a. C.) e o Calcolítico (2500 a. C.).
A Sé de Évora é uma igreja-fortaleza, considerada um dos melhores exemplos do estilo de transição românico-gótico (séculos XII-XIII). Embora a planta seja de estilo românico, a estrutura e a decoração são góticas. A fachada é marcada por duas torres quadradas assimétricas e pelo portal, onde se pode observar um apostolado do século XIV de grande qualidade. Numa das torres está instalado o Museu do Tesouro da Sé, com valiosas peças de arte sacra. No interior, a capela-mor é uma reconstrução da época barroca. Nela pode ver-se um órgão quinhentista, o mais antigo ainda em atividade em Portugal.
O templo romano de Évora data do século I e, segundo alguns autores, é dedicado ao culto do imperador. Após estudos arqueológicos, foram encontrados vestígios de um pórtico e de um espelho de água. Foi convertido em torreão na Idade Média e, posteriormente, em matadouro, sendo restaurado no século XIX.
São de relevar as muralhas de Évora – cerca romana e árabe, ou Cerca Velha, que engloba a muralha da Praça de Sertório, a de São Bento, a do Palácio dos Condes de Basto e a do Passeio do Conde Schomberg, bem como as torres da Porta da Moura, das Cinco Quinas, das Alcárcovas e o Arco de D. Isabel.
A Universidade de Évora foi fundada, em 1559, pelo cardeal D. Henrique. Foi instituída por bula do Papa Paulo IV e dirigida, durante dois séculos, pela Companhia de Jesus. Juntamente com a Universidade de Coimbra, foi responsável pela formação das elites sociais e culturais portuguesas dos séculos XVI a XVIII. Duzentos anos após a sua fundação, foi encerrada na sequência das perseguições do Marquês de Pombal aos Jesuítas. As aulas recomeçaram em 1975. Em 2004, a Universidade de Évora era constituída por áreas departamentais onde se ministravam cerca de 38 licenciaturas.
Como personalidades naturais do concelho, destacam-se Duarte Galvão (1445-1517), cronista, André Falcão de Resende (1527-1599), um conhecido poeta, e J. Magalhães Coutinho (1815-1895), médico responsável pela primeira maternidade em Lisboa.
Como instalação cultural, destaca-se o Museu Municipal de Évora, situado no paço episcopal, um edifício do século XVII. Este museu exibe importantes coleções de joalharia e ourivesaria (séculos XVI e XVII) e pinturas das escolas portuguesa e flamenga do século XVI. Da coleção de esculturas ressalta parte de uma vestal em mármore, uma "Nossa Senhora da Anunciação" em mármore do século XIV e uma Santíssima Trindade do século XVI.
Tradições, Lendas e Curiosidades
São muitas e diversas as manifestações populares e culturais no concelho, sendo de destacar a FEPRAN (Feira dos Produtos da Região do Alentejo), no mês de outubro; a festa de São Brás, a 3 de fevereiro; a festa de Nossa Senhora das Candeias, a 2 e 3 de fevereiro; a feira e festa de S. João, no mês de junho; a Feira de Ramos, na sexta e no sábado anteriores à Semana Santa; e a Feira Nova, a 12 e 13 de outubro.
O feriado municipal é dia 29 de junho.
A nível de artesanato merecem destaque os trabalhos em barro, chifre, cortiça, couro, pele e buinho, o mobiliário rústico pintado e os brinquedos em madeira.
Economia
No concelho predominam as atividades ligadas ao setor terciário, que ocupa cerca de 2/3 da população ativa na área administrativa (pequeno comércio, artesanato e turismo), seguindo-se o secundário, com as indústrias alimentar e extrativa (madeira, cortiça e mármore) e só depois o primário.
No que se refere à agricultura, destacam-se os cultivos de cereais, prados temporários e culturas forrageiras, culturas industriais, pousio, olival, prados e pastagens permanentes. A pecuária tem também relativa importância, nomeadamente a criação de aves, ovinos e bovinos.
Quase 33% (5836 ha) do seu território encontra-se coberto de floresta. As principais espécies arbóreas são a oliveira, a azinheira e o sobreiro.