Distrito de Beja

O distrito de Beja é um distrito português, pertencente à província tradicional do Baixo Alentejo. Limita a noroeste com o distrito de Setúbal, a norte com o distrito de Évora, a leste com a província de Huelva (Espanha), a sul com o distrito de Faro e a oeste com o oceano Atlântico. Tem uma área de 10 229,05 km² (o maior distrito português) e uma população residente de 152 758 habitantes (2011).[2] A sede do distrito é a cidade com o mesmo nome.

O distrito de Beja ocupa a maior parte da província tradicional do Baixo Alentejo. Está limitado a norte pelo distrito de Évora, a leste pela Espanha, a sul pelo distrito de Faro e a oeste pelo oceano Atlântico e pelo distrito de Setúbal. Abrange uma área de 10 223 Km2 e compreende 14 concelhos: AljustrelAlmodôvarAlvitoBarrancos, Beja, Castro VerdeCubaFerreira do AlentejoMértolaMouraOdemira (atualmente integrado no Alentejo Litoral), OuriqueSerpa e Vidigueira.
O relevo do distrito de Beja caracteriza-se por ser pouco acidentado e estar integrado na extensa planície alentejana ou peneplanície, interrompida por serras de fraca altitude, como a serra de Mendro (412 m), na parte setentrional, e os contrafortes das serras algarvias, no Sul.
Os principais rios que drenam o distrito são o Guadiana, o Sado e o Mira.
História e Monumentos
A fundação da cidade é atribuída aos Celtas, 400 anos a. C. Pensa-se que terá sido controlada pelos Cartagineses antes do domínio romano. Mas foi na época romana que começou a desempenhar um papel mais importante na região, recebendo, nessa altura, o nome de "Pax Julia", em honra da pacificação da terra da Lusitânia. Beja foi tomada pelos Mouros em 715, que a chamaram de Baju. Após esta data, surge uma época atribulada de conquistas e reconquistas da cidade, até que no ano 1162 é reconquistada definitivamente, por Gonçalo Mendes da Maia, o "Lidador", no reinado de D. Afonso Henriques. Recebeu foral em 1524 e foi elevada a cidade em 1517. Foi repovoada por D. Afonso III, que reedificou a muralha romana, a qual tinha quarenta torres. Nessa muralha, o rei mandou abrir sete portas, que foram chamadas: ÉvoraAvisMouraMértolaAljustrel, Nossa Senhora dos Prazeres e Nova ou de S. Sezinando; destas portas saíam as estradas que conduziam às povoações correspondentes aos seus nomes.
Dos monumentos bejenses salientam-se, para além do castelo, a Igreja de Santo Amaro (século V), da época dos Visigodos; a Igreja da Misericórdia, de estilo renascentista, mandada construir, em 1550, por D. Luís, duque de Beja; a Igreja de Santa Maria, a mais antiga, e tudo indica ter sido uma mesquita moura; a Igreja de S. Salvador (século XIII); o Convento e a Igreja da Conceição, mandados construir por D. Fernando, pai de D. Manuel I, em 1459, com alguns traçados góticos; o Convento de São Francisco, que foi fundado em 1268 e adaptado a quartel em 1850, o que lhe modificou o traçado inicial; a Ermida de Santo André, construída no reinado de D. Sancho I, para comemoração da tomada da cidade aos Mouros; e o hospital e os paços do concelho, anexo aos quais se encontra o Museu Arqueológico. A sala de sessões dos paços do concelho é decorada com retratos de Júlio César, D. Sancho I, D. Afonso III, D. Manuel I, D. Maria II e outras personalidades. Estão igualmente representados os brasões de todos os concelhos do distrito.
Tradições, Lendas e Curiosidades
Beja tem como feriado municipal a quinta-feira de Ascensão. Cada freguesia de Beja tem o orago correspondente à sua designação.
No concelho de Beja, realizam-se anualmente as seguintes feiras: a feira anual Ovibeja, de 16 a 26 de maio, dedicada à agropecuária e à maquinaria agrícola; as festas da cidade, no mês de maio; a Feira de agosto, do dia 9 ao dia 16; a Turisarte, de 25 a 27 de outubro (feira dedicada ao turismo e ao artesanato); e, por fim, a Alentejo Alimentar, de 5 a 8 de dezembro (feira gastronómica, que coincide com a festa a Nossa Senhora da Conceição).
Nos restantes concelhos, celebram-se a Festa de Santo António, a 13 de junho; a Feira de junho, no segundo domingo do mês, e a Festa de Santo António, a 12 de junho, em Aljustrel; a Feira de Santo Amaro, a 15 de janeiro, as Comemorações do Foral, a 17 de abril, e a Feira dos Passos, no quarto domingo da Quaresma, em Almodôvar; a Festa a N. Sra. da Assunção, no segundo domingo de setembro, e a Feira dos Santos, a 1 e 2 de novembro, em Alvito; as Festas de agosto, de 23 a 31, e a Festa a Nossa Senhora da Conceição, de 8 a 24 de dezembro, em Barrancos; a Festa a Nossa Senhora da Conceição, a 8 de dezembro, e a Feira de Castro, no terceiro fim de semana de outubro, em Castro Verde; a Festa a Nossa Senhora da Conceição da Rocha, no último fim de semana de agosto, a feira anual, no primeiro fim de semana de setembro, e as Festas da Páscoa, que incluem as procissões das velas e do Senhor dos Passos, em Cuba; a Feira Anual, no terceiro domingo de setembro, e a Festa a Nossa Senhora da Assunção, a 8 de dezembro, em Ferreira do Alentejo; a Festa de S. João, a 24 de junho, e a Feira de S. Mateus, no último fim de semana de setembro, em Mértola; a Festa a Nossa Senhora do Carmo, no terceiro fim de semana de setembro, a Feira de setembro, no segundo fim de semana, e a Olivomoura, em Moura; a Feira Nova de outubro, de 1 a 5, em Odemira; a Festa a Santa Maria, a 15 de agosto, e a Romaria da Senhora da Cola, no primeiro fim de semana de setembro, em Ourique; a Festa de N. Sra. de Guadalupe, da sexta-feira da Paixão até à terça-feira seguinte, em Serpa; e, a Festa a N. Sra. das Relíquias, na quinta-feira de Ascensão, e a Feira de S. Tiago, no segundo fim de semana de julho, em Vidigueira.
Os cantares alentejanos típicos deste distrito são melodias a duas vozes, sem acompanhamento de instrumentos e cantadas unicamente por homens. Na vila de Vidigueira, em dezembro, em qualquer casa particular é comum ouvir-se "o canto do menino", que é um canto religioso diferente do canto alentejano, uma vez que tem carácter familiar.
Tradicionalmente, o traje do alentejano é constituído por fato de lã escura, casaco curto, calça, peitilho branco sem gravata, cinta de lã, lenço ao pescoço e chapéu de feltro de aba larga. Às vezes usa uma samarra. Por sua vez, o traje da mulher alentejana é constituído por saias rodadas de tecido de algodão claro, lenços coloridos na cabeça (amarrados sob o queixo), chapéu de feltro e grevas.
No concelho de Barrancos, fala-se tradicionalmente um dialeto próprio - o barranquenho - com grande influência do castelhano. Nesta sede de concelho, nas festas de agosto, existe a tradição da tourada com touros de morte (influência espanhola). É de relevar também a tradição da fogueira de Natal, nos dias da Festa da N. Sra. da Conceição, que se realiza de 8 a 24 de dezembro. Do primeiro ao último dia, faz-se a apanha da lenha e no último dia, à noite, chega-se fogo à lenha para "aquecer o Menino Jesus", em frente das portas abertas da igreja, ficando acesa durante a Missa do Galo e pela noite dentro.
No escudo da cidade de Beja existe a cabeça de um touro porque, segundo a lenda, nos tempos iniciais de Beja, existia por aqueles lados uma serpente-monstro que a todos aterrorizava e matava. Um dia, alguém se lembrou de envenenar um touro e pô-lo perto da serpente para que esta o comesse acabando por morrer envenenada.
Dizem que a cidade de Moura deve o nome a uma alcaidessa muçulmana chamada Salúquia. Esta estava prometida a Braffma, do castelo de Azmi. Um dia, Braffma, quando se dirigia para ver a sua noiva, foi atacado por um grupo de soldados cristãos, que o mataram. Os cristãos vestiram os trajes dos árabes, penetraram no castelo de Salúquia e conquistaram-no. Diz-se que Salúquia, para morrer em honra ou por desgosto, se atirou da torre do castelo. Desde então, a povoação ficou conhecida por Moura.
Economia
O distrito de Beja é uma rica zona cerealífera, onde a cultura mais importante é o trigo. Na extensa charneca, para além da cultura dos cereais, destacam-se a produção de azeite, a extração de cortiça e a criação de gado (ovinos, bovinos e suínos). O subsolo é rico em minérios, sobressaindo as minas de cobre e estanho de Neves Corvo e as pirites de Aljustrel. Explora-se ainda a extração do mármore e do granito.
Em relação ao turismo, são muito procuradas as praias desde Vila Nova de Milfontes até a alguns quilómetros do cabo Sardão e as terras do interior, que oferecem condições para a prática da caça, da pesca e de todos os desportos náuticos.
O artesanato típico passa pelas peles e pela cestaria, pelas obras em madeira, em cortiça e em vime, pela cerâmica e pelos barros, pela latoaria, pelos cobres martelados, pelo ferro forjado, pelas rendas e pelas mantas.