O autocaravanismo e o associativismo em Portugal

O autocaravanismo tornou-se nos últimos anos uma forma particularmente privilegiada para visitar, conhecer e desfrutar Portugal durante todo ano. Esta modalidade de Turismo Itinerante permite conhecer todas as região em toda a plenitude e diversidade que elas possuem, permite uma ativa participação na vida e no quotidiano local e interação com as populações, em todas as vertentes, sejam elas cultural, gastronómica ou paisagística. No entanto esse fato coloca-nos enquanto autocaravanistas, várias questões,  sendo que algumas serão de simples resposta, porquanto o são do domínio do  bom senso, outras terão uma resposta mais elaborada. Precisamos mudar o paradigma do autocaravanismo; e para isso teremos que começar a mudar mentalidades, desde logo assumindo um principio basilar de sociedade: " a minha liberdade termina onde começa a do meu vizinho".

O associativismo é uma forma de organização da sociedade civil, na qual os cidadãos se agrupam em torno de interesses comuns com objectivos de entreajuda e cooperação sem fins lucrativos. Trata-se portanto de um importante meio para o exercício do pleno direito de cidadania que a todos assiste. 

A FPA - Federação Portuguesa de Autocaravanismo, foi fundada em 20 de Junho de 2011 por três clubes de autocaravanismo - o CAS - Clube Autocaravanista Saloio, o CAI - Clube Autocaravanista Itinerante e o CGA - Clube Gardingo de Autocaravanas. É a única federação portuguesa que representa em exclusivo o autocaravanismo e é membro efectivo da FICM - Fédération Internationale des Clubs de Motorhomes, que aglutina 10 Países europeus, representando mais de dois milhões de autocaravanas.

 

Os autocaravanistas portugueses, muito se lamentam de serem mal recebidos ou mesmo afastados dos locais onde pretendem estacionar em manifesta discriminação de tratamento quando comparado com o recebido pelos restantes concidadãos e também se queixam de não encontrarem infraestruturas de acolhimento em número e qualidade como desejariam.

 

Seria de esperar que, com a criação de uma Federação que, tratando exclusivamente de autocaravanismo, poderá representar com alguma eficácia os legítimos interesses dos autocaravanistas estes procurassem reunir-se em clubes que, aderindo à Federação, lhe conferisse a necessária massa crítica para se impor como parceira na discussão dos assuntos específicos do autocaravanismo.

 

De facto não é o que se tem verificado. Os autocaravanistas portugueses, na sua maioria, talvez cerca de dois terços, continuam sem qualquer filiação clubística. O restante terço ou está filiado em secções de autocaravanismo de clubes de campismo, ou está agrupado em pequenos núcleos de amizade sem qualquer expressão jurídica ou, talvez cerca de um quarto do total, está filiado em clubes de autocaravanismo.

 

Deste modo dificilmente faremos ouvir a nossa voz!
 

Não será certamente pelo valor da quota anual que os autocaravanistas se não juntam em clubes.

 

Os Clubes e, por arrastamento a Federação refletem o trabalho que lhes é "encomendado" pela respectiva massa associativa, reunida em Assembleia Geral.

 

O autocaravanismo em Portugal será sempre o reflexo do trabalho e da vontade dos autocaravanistas reunidos em Clubes de Autocaravanismo, por sua vez filiados numa Federação de Autocaravanismo.

 

Juntos seremos mais fortes